Uma self palmadinha nas costas

E percebes que estás crescida quando ouves o que queres, o que não queres, o injusto e o absurdo e manténs-te calada porque simplesmente não vale a pena, burro velho não aprende línguas novas e não te apetece revisitar o passado. 

Senti-me uma princesa…com úlceras, mas uma princesa.

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Eu, praxista, me confesso

Eu, praxista, me confesso. Fui praxada duas vezes, em duas academias diferentes. Numa terceira academia, tentaram praxar-me na única vez que fui lá dizer que não queria inscrever-me naquela faculdade. Praxei três anos, um dos quais enquanto figura máxima do meu curso. Em qualquer uma das faculdades, andei de quatro, baixei os olhos, berraram-me aos ouvidos, comi com as mãos, zurrei como burro porque caloiro não tem voz, fiquei suja e mal-cheirosa ao ponto de deitar roupa fora ou ser evitada por qualquer transeunte, não fosse eu tocar-lhes. E depois, passei para o outro lado, por escolha e por gosto. 

Não estou a dizer que não se façam amigos sem praxe, que não se tenha uma boa experiência académica sem praxe ou que não se façam as mesmas coisas. Não, tudo isto é possível, como é óbvio e todos nós conhecemos estudantes que pelos mais variados motivos se declararam anti-praxe. E não foi por isso que foram menos felizes. Mas não me venham dizer que mal chegam a uma cidade nova, universidade nova, e não conhecem uma única pessoa, a integração é rápida e fácil. Que conhecem e começam logo a falar com os vossos colegas no primeiro dia. Que ao fim do primeiro dia, arranjam logo companhia para jantar, que marcam aquele café ao fim da noite, que descobrem que também precisam de ir aos Serviços Académicos, como a miúda que está de quatro ao vosso lado e “vamos juntas, então?” Porque é o que acontece com a praxe. Não precisam de assunto de conversa e têm imediatamente tudo em comum. Os mais velhos, os que praxam, proporcionam isso. Proporcionam o olhar cúmplice entre pessoas que não se conhecem, camaradagem e sentido de pertença. Dão-se a conhecer e cada caloiro sabe que, independemente de tudo, qualquer problema ou dúvida que tenham, aquela pessoa trajada os vai ajudar. 

Podia dar inúmeros exemplos. O dia em que fui praxada até à exaustão no Porto, por ruas e ruelas de mau aspecto, sempre atrás dos meus doutores. Em que me disseram no fim ” Agora que já viram estas ruas, lembrem-se bem do que vamos dizer agora: o caloiro que for apanhado nesta zona da cidade será praxado até ao fim do ano sem misericórdia”. Descobri então que estava numa das piores zonas da cidade, mesmo ao lado da minha faculdade. O primeiro dia de praxe em Aveiro ( a segunda vez praxada e já sem a mesma paciência), ao lado de um jovem cheio de energia que só fazia asneiras e me piscava o olho às escondidas e dizia “eu quero é ser praxado” e que é hoje o meu padrinho de casamento. O dia em que, com 3 ou 4 matrículas e a assistir a uma praxe sem traje, fiquei com uma inveja tão grande do que via à minha frente que me juntei aos caloiros. Cheguei a casa, suja, mal cheirosa e com roupa para o lixo. Outra vez.  O arrumadinho conta a sua experiência como caloiro infiltrado em Trás-os-Montes. Uma semana de jornalismo de investigação para fazer uma reportagem sobre a Praxe. Ele é contra a praxe. Chegou a uma segunda-feira, foi praxado, sofreu, e conta tudo. Sexta-feira, foi ao jantar de caloiro onde, segundo o próprio “fez amigos”. 5 dias. Ainda pegando no exemplo do arrumadinho, acompanhar dois ou três deles numa visita à cidade, passar o dia com eles, apresentar-lhes as coisas, não é praxe. É fazer amigos. Eu não quis fazer amigos enquanto praxava,  quis que eles fossem amigos entre eles, o ano deles, o curso deles, que criassem as suas relações, as suas memórias, que não se sentissem sozinhos um único dia. Os amigos que fiz foram uma consequência. E por isto, adorei a praxe.

Eu, praxista, me confesso. Todas as certezas que tinha, já não as tenho. Será que foi o suficiente ter perguntado alto e bom som se estavam ali todos de livre e espontânea vontade? Nunca me senti humilhada em qualquer praxe mas será o meu conceito de humilhação tão diferente que berros, ficar de quatro, cantar em frente a toda a gente tenha sido humilhante? A experiência académica seria realmente mais fácil e mais efectiva sem a praxe?

Quem não sente, não é filho de boa gente e eu sinto muito pelas famílias dos estudantes envolvidos na tragédia do Meco. Mas isso não foi Praxe. Não a Praxe que eu conheço e defendo.

Terapias no Facebook

Quando estiverem aborrecidos, cansados, implicativos e com vontade de discutir basta ir ao Facebook. Escolham um dos inúmeros grupos a que pertencem, de preferência um com centenas de pessoas que levam o tema do grupo extremamente a sério. Façam um comentário qualquer que seja da opinião contrária de quem escreveu o post original. Acrescentem qualquer coisa do tipo “soa a inveja”. 

Recostem-se e vejam o circo a pegar fogo. Se estiverem mesmo com vontade, vão respondendo. Aconselho o uso de sarcasmo e ironia com fartura para maximizar os resultados. 

E estou muito mais bem disposta agora…

 

Últimos três meses em resumo

Dos três leitores que tenho, um deles implorou-me que voltasse. Vá, não foi bem implorar, foi mais pedir. Nem isso talvez, mais uma constatação do género “não está lá nada”, mas foi o que bastou para eu regressar. Afinal, há uma responsabilidade para com os fãs.

Sendo assim, devagarinho vou contando as novidades, mas deixo já um resumo.

A dieta dos 31 dias foi uma surpresa. Não custou tanto como seria de esperar e consegui perder 3kg num mês, o que pode parecer pouco mas para mim foi uma vitória. O problema é que depois tive mais 31 dias de Natal, aniversários, festejos e comemorações e acho que vou ter que começar tudo outra vez. Há conclusões importantes a tirar, entre elas, há coisas mais importantes que vestir um 36, entre elas o arroz, a massa e batatas. Ui, batatas.

Os preparativos para o Grande Acontecimento estão a decorrer a pleno vapor e quero pedir desculpa por ter intitulado a rubrica sobre o assunto “diário de uma bridezilla”. Há seis meses atrás, eu não sabia o que era uma bridezilla, Achava até que seria um mito urbano. Hoje em dia, vejo-me ao espelho. Quando atualizar os diários vocês vão perceber a gravidade da situação.

Entre Natal, Passagem de Ano, Ceia do Mundo e comemorações várias, tive vários momentos que me aqueceram o coração e que me fizeram pensar que vivo rodeada de boas pessoas. Daquelas mesmo boas.

Música do último semestre de 2013?

A Dieta dos 31 dias – Dia #4

Estou a começar o quarto dia sem hidratos e a seguir escrupulosamente a dieta da Ágata Roquete e já tenho algumas coisas a dizer sobre o assunto. A ver: 

Das duas uma, ou eu ando a dormir ou o meu corpo não responde a nada. Era suposto ter sentido algum cansaço ou falta de energia nos primeiros dias sem hidratos e açúcares. Nada. Não senti alteração nenhuma. É claro que os meus níveis de energia já de si são tão baixos que pode ter-se dado o caso de nem se ter notado a diferença. Foi prometido que o mais difícil seria ultrapassar o terceiro dia mas que depois disso tudo seria mais fácil. Além disso, ao quarto dia já se apertaria melhor o botão das calças. Ainda não vi nada disso. mas estou ansiosamente à espera. 

A dieta tem alguns aspectos bastante positivos. Primeiro, as receitas que a Ágata recomenda são fáceis e rápidas de fazer e com ingredientes que já estamos habituados a usar o que é particularmente útil para quem não é propriamente uma fada do lar. Os alimentos permitidos são variados e saborosos o que permite que continue a comer sem sentir que estou a fazer esforços sobre-humanos. As compras no super-mercado também não são demasiado complicadas embora tenha notado que a conta no final tenha sido substancialmente superior – a culpa foi de todos os iogurtes e queijos lights, consideravelmente mais caros que os amigos mais gordos. A Luzinha dos meus olhos também tem sido uma ajuda tremenda já que se dispôs a fazer a mesma dieta que eu, ao contrário da minha mãe que me apresenta a melhor lasanha do mundo seguida da tarte de nata mais saborosa de sempre. Não sei bem como, eu consegui comer um bife grelhado com salada e 1.5 cm de tarte de nata. 

No entanto, quanto a mim, a maior vantagem desta dieta é mesmo ter um fim à vista. Para quem tem dificuldade com compromissos, uma força de vontade pouco acima de nenhuma e adora comer como eu, o facto de saber que são 31 dias e 4 dos quais já passaram ajuda e muito. É suposto chegar ao fim do mês com menos 3-6kg. Se conseguir será uma vitória e tenho a certeza que irá ser sempre positivo, pelo menos para reeducar o meu estômago que já ocupava todo o espaço entre a traqueia e o intestino e triturava uma vaca em menos de nada.