Há pessoas assim

Há pessoas que passam pela nossa vida sem deixar marcas. Há delas que continuam na nossa vida, pelos mais diversos motivos que não o de serem absolutamente necessários para o nosso bem-estar e felicidade.

Há outras que chegam devagarinho, que nos conquistam, que queremos que sejam parte da nossa vida.

E depois há as outras. Aquelas que entram de repente na nossa vida, como se sempre lá tivessem estado. Que nos olham e nos falam como se nos conhecessem desde o berço. Que nos dizem o que mais ninguém diz, que sabem o que mais ninguém sabe, que nos conhecem como ninguém e mesmo assim gostam de nós.

Aquelas que, quando contamos as melhores histórias da nossa vida, os momentos mais marcantes, as horas mais negras, as viagens de uma vida, estão sempre lá, fizeram parte, viveram-nas connosco.

Aquelas que nos falam hoje como se estivessem estado connosco ontem, apesar das cidades que nos separam, as vidas que nos ocupam, as profissões que não dão tréguas, as pessoas novas que vão chegando à nossa vida.

Aquelas com quem contas sempre e para sempre. Aquelas que chegaram, ficaram e não vão embora. Aquelas que normalmente são raras. Eu tenho uma dessas pessoas.

E hoje faz anos. Parabéns JD.

Diário de uma Bridezilla #3

Reunião com o designer. Parece fino mas a realidade é que fui tomar um café com um amigo…que é designer. É ele que me vai desenhar o convite e tudo o resto que precise de ser desenhado Começo a mostrar-lhe 327 fotos que tinha guardado de coisas que tinha gostado. Mas depois digo-lhe que não é beeeem aquilo. 

Eu: Oh pá, é mais ou menos isto. Gosto, mas não precisa ser isto. Queria uma coisa mais… sei lá…assim pró… ‘tas a ver? Meio como… 

Ele: Já percebi. 

Eu: Já??

Ele: Não te preocupes. Depois mostro-te. 

Eu: Então ’tá. 

Diário de uma Bridezilla #2

Uma pessoa vai à florista e encontra a porta fechada. Tendo em conta que é preciso coragem para a pessoa arrastar o noivo alérgico à florista, a pessoa fica desanimada. Se calhar chegou tarde. que isto não são horas de ir aborrecer outros. Procura o horário: segunda a sexta das 09:00 às 19:00. Olha para o relógio e são 18:00. A pessoa fica confusa. No espaço de 5 minutos, ouve dois comentários do género ah e tal é segunda, não deve haver movimento. A sério? Acha-se normal que um estabelecimento não cumpra o horário definido porque…há pouco movimento? Sem sequer uma folhinha A4 escrita à mão a dizer “volto já”?

Se calhar foi só hoje, pensa uma pessoa. E volta-se lá na segunda feira seguinte. E não pensem que é teimosia, a segunda é mesmo o único dia que dá jeito. Mais uma vez, nariz na porta às 18:20. E o horário afixado continua ali com ar de gozo. 

Lá se arranja o número de telefone da florista, mas entretanto já está o noivo com ar de muito fastio e já a dizer coisas como “isto só na aldeia”. A florista atende. Ah e tal, é segunda feira, há pouco movimento, normalmente fecho. O melhor é mesmo marcar uma hora e eu apareço. 

Então ’tá. 

Soundwich

Se tiverem oportunidade, não deixem de visitar o Soundwich, no Parque da Cidade do Porto. Foi paixão à primeira vista, à primeira trinca e ao primeiro cheiro. 

O aspecto do sítio é absolutamente fabuloso, com um ar meio campestre e bucólico em plena cidade. As ementas são vinis antigos e o menu é assinado por alguns dos maiores nomes da cozinha portuguesa. 

Vale tanto a pena!

Image

Image

Image

Indo eu, indo eu, a caminho de Lisboa

Numa viagem recente à capital, ia eu muito sossegada a ler no comboio quando um vizinho achou que seria o momento perfeito para meter conversa. Vá lá que foi só depois de Leiria, menos mal.

Eventualmente, sentindo-se afoito e encorajado pelo meu “com certeza” ao “pode tomar conta da minha mochila enquanto vou ao bar?”, que é claramente o código internacional do vou-te comer dos alfas pendulares e toda a gente sabe menos eu, o senhor vai de botar faladura como se não houvesse amanhã.

Fiz alguma ginástica para dar um jeitinho ao cabelo com a mão esquerda, aquela do anel, mas ou ele era cego ou distraído. Ou então não quis saber. E ele conta-me da vida dele, enquanto eu respondo com pouco mais que monossilabos. Ah e tal, sou muito viajado. Passo os dias na estrada. No fundo sou o caixeiro-viajante de antigamente mas com os nomes finos de hoje. Acenei com simpatia em sinal de compreensão. Vila Franca de Xira.

Bla bla bla wiskas saquetas bla bla… porque eu nunca estou no mesmo sítio. Faço imensas vezes Porto-Lisboa. Almoço em Londres às quartas-feiras e todos os meses vou a Milão. As pessoas pensam que é glaimoroso mas não tem glaimour nenhum.

Oi? Glaimour? A minha cabeça virou repentinamente na direcção do moço para analisar com a atenção até então evitada. Apeteceu-me dizer tell me more mas tive receio de me sentir assoberbada com tanto glaimour.

Devo confessar que lhe sorri mais vezes e lhe fiz mais perguntas de Vila Franca ao Oriente que no resto da viagem toda,  mas não resisti. Pelos vistos, trabalha lá com atuns. Enlatados. E usa meia branca.

Estação do Oriente.

E depois acordei

Volta e meia tenho uns sonhos maus, sobre tudo e mais alguma coisa. Acontecem pouco, mas acontecem. Mas estes dias tive um pesadelo particularmente feio. 

Por algum motivo, dei por mim a desfazer-me de todos os meus livros e a vende-los ao desbarato numa qualquer rede social. E não estou a falar só dos mauzinhos, dos que não deixam saudades, dos que comprei nem sei bem porque, dos cor-de-rosinha que envergonham qualquer estante que se preze. Não, estava a vender tudo! Os clássicos, os preferidos. as obras de arte, os marcantes. Em boa verdade, acordei quase em pânico e olhei bem para eles só para confirmar que ainda lá estavam.

E estavam. A ocupar um espaço precioso num T1, a relembrar que precisam de novos companheiros, a pedir que os organize mais uma vez porque já há livros por trás de livros que estão em cima de livros, no chão e em sacos. 

Suspiro feliz. Está tudo como deve estar.