Mais para eu perder

Não sou de usar brincos ou colares. Já pulseiras e anéis agradam-me. Mas o que gosto mesmo mesmo são relógios.

Perdi a conta aos relógios que já tive. Cheguei a ter uma colecção bastante aceitável de relógios Swatch e cheguei até a considerar usa-los à la Pedro Granger. Entretanto, outras marcas substituiram a Swatch e outros vieram. O problema não são os relógios que vieram, são os que foram. Sim, foram-se todos! Honestamente não sei o que lhes fiz mas apercebi-me estes dias que não tenho nenhum relógio. Nem um! Fiquei deprimida, especialmente por não saber o que lhes tenho feito. Ao longo dos anos, fui deixando peças aqui e acolá, as incontáveis vezes que mudei de casa não há-de ter ajudado e os Swatch não têm concerto quando avariam. E assim, dou por mim, watchless e a babar-me


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As pessoas aborrecem-me

E o que eu gosto de opiniões que começam por “Eu devo ser muito diferente das outras, mas…”? Quem começa uma frase assim, está automaticamente a colocar todas as outras no saco A, o saco da imoralidade, dos maus costumes, das coisas feias e más que as avós sempre disseram que não se faz. Não há experiências diferentes, motivos diferenciadores, pessoas diferentes. Elas colocam-se no saco B, no saco onde estão apenas as pessoas com um carácter acima de qualquer suspeita, no limiar da perfeição e exemplo a seguir. 

São normalmente estas as pessoas que também dizem coisas como “eu gosto de ti, mas…”.Acreditem em mim que eu já conheci uma destas. É claro que a Miss Eu Nunca acabou na cama de um desconhecido no dia em que terminou com o namorado, mas isso não interessa para nada. Afinal, ela deve ser muito diferente das outras.

Há também a outra versão. A do “nada contra mas credo canhoto”. Vê-se muito em mosquinha mortas, com vontade de falar de tudo mas ao mesmo tempo sem ter opinião sobre nada. Quer ser a Miss Goody Two Shoes do sítio e não quer que ninguém se aborreça com ela, mas quer falar. 

Estas pessoas aborrecem-me.

É agora.

Sinto que está na hora de ganhar o euromilhões. Eu percebo que o universo ainda não tenha querido presentear-me com um primeiro prémio (ou qualquer prémio, já agora), talvez porque fosse  muito nova, inconsciente ou pouco merecedora. Mas agora isso tudo já passou. Para nova não vou, que já tenho intas. Sou muitíssimo consciente da pouca vontade que tenho de trabalhar o resto da vida (caramba, se oito horas custam imagino mais 30 anos). Por fim, considero-me merecedora e inteligente o suficiente para administrar uns quantos milhõezinhos. E prometo partilhar muito. 

Pode ser?

Da Casa dos Segredos

Já não devia ficar surpreendida. Afinal todos os anos é a mesma coisa. Todos os anos fico de boca aberta a olhar para a televisão e a perguntar-me onde terão sido estas pessoas encontradas. Serão reais? Existem mesmo pessoas assim e eu tenho tido sorte de não conhecer nenhuma?

E continuo colada. À medida que o tempo vai passando e se conhecem os candidatos, reconheço ainda mais o seu valor. Admiro a paciência e persistência, sentido de humor e de crítica, capacidade de antever os desejos voyeuristas dos portugueses e projecção futura de sucessos.

Por tudo isso e muito mais, a minha vénia aos responsáveis dos castings da Casa dos Segredos 3.