Sim, eu sei, que tudo são recordações

Se algum dia me perguntarem qual é a melhor recordação de infância que tenho, direi que não sei. Não sei qual será a melhor, mas sei as que não esqueço. E não é tarefa fácil para quem tem uma memória de peixe, renovável a cada 5 segundos, para o bom ou para o mau. Uma das minhas preferidas são os domingos de inverno passados com a mãe e a irmã. E não tem nada de extravagante.

Assim que a época de caça abria, os fins-de-semana eram nossos. Das três. O domingo era o dia em que não fazíamos nada. E fazíamos tudo. Saíamos de casa ao final da manhã para tomar o pequeno almoço fora (já na altura eu tomava brunches, vejam lá). Depois, íamos escolher alguns livros de banda desenhada ao quiosque e desde a turma da Mónica ao HyperDisneys, nada escapava. Voltávamos para casa, onde abríamos o sofá-cama, com direito a lençóis e edredons quentinhos. E era uma luta para decidir quem ficava no meio. Cada uma de nós queria ficar no meio, mais pertinho das outras duas. E era a única altura em que ela nos deixava comer “na cama”. Entre livros, televisão, sestas, comida e risos o dia acabava. Mas não fazia mal porque sabíamos que na semana seguinte o ritual seria o mesmo.

Hoje em dia, prefiro ficar na ponta (está muito calor no meio), não leio banda desenhada (prefiro livros sem imagens) e já não espero pela época da caça. Mas sei que no dia de inverno que voltarmos a fazer qualquer coisa de semelhante, a sensação será igual à de há 20 anos atrás. E eu vou continuar a querer ficar no meio. Bem, talvez não que está calor, mas a intenção está lá. E talvez ela me faça batatas fritas.

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Cooking Blogger – Take #1

Sou fã de petiscos. E banquetes. E qualquer coisinha para trincar. E brunches. E ceias. E buffets. Pronto, eu sou fã de comida. E os espanhóis tratam-se muito bem. Agradam-me as tapas e os petiscos deles e estou sempre a experimentar coisas novas. Desta vez, foi uma coisa tão simples, tão simples, mas tão boa que vou partilhar.

Pegam em fatias de pão saloio, colocam-lhe umas fatias fininhas de carne de porco assada e por cima umas fatias generosas de queijo de cabra. Levam ao forno a gratinar, até o pão ficar tostado e o queijo a derreter. Servir, fazer um brilharete pelo petisco e ficar deliciado.

Para a próxima tiro foto.

*afinal acho que isto vai ser um blog de culinária.

Eu sou famosa

Eu sou famosa.

Contabilizando tudo, já apareci em exactamente 1:37 segundos em 3 canais de televisão diferentes.Em qualquer uma dos programas tive uma participação decisiva, que incluiram as minhas costas durante 3 segundos, a minha cara de concentração enquanto trabalhava durante 7 segundos e uma intervenção em que respondi a duas ou três perguntas acerca de um evento que estava a organizar. Cheguei até a contribuir para o enriquecimento do léxico do português ao terminar uma frase com um advérbio de modo que na altura não existia. Confio que após a minha contribuição, o advérbio já tenha sido incluido nos dicionários portugueses. Já escrevi para uma revista, páginas inteiras, com direito a uma foto gigantesca de 3cm. Na minha terra, não há quem não saiba quem eu sou. Por terra, entenda-se todos os sítios que eu frequento diariamente, como é óbvio. E quem não me conhece, aposto que gostava.Tenho mais qualidades e talentos do que aqueles que lembro agora. Mas voltarei a este tema à medida que me for lembrando.

Ora portanto, tendo exposto os meus argumentos e certa que não deixei dúvidas nas vossas mentes, tenho cá em casa uma sanita para leiloar. Branca, em bom estado, e com capacidade para aguentar ainda muitas cagadas no seu tempo de vida.

Quem dá mais?

 

*texto escrito em algum momento de 2011 e revisitado a pedido de várias famílias. Claramente, hoje sou muito mais famosa.

Fashion blogger – Take #1

Ofereceram-me um dos cremes de corpo que mais gostei até hoje. Bom, mas bom e que me deixava o corpo com uma suavidade e cheiro muito apetitoso. E tenho andado à procura dele mas não encontro. Vai daí resolvi experimentar outro aroma qualquer. Encontrei-os baratinhos na Sephora e depois de ultrapassar a barreira de serem todos iguais uns aos outros, cheios de strawberry, blackberry, raspberry, whatthefuckberry, lá me decidi por um. Compra feita, saco na mão, toca de ir ver mais lojas. 

E já estava a pensar que ia escrever no blog o primeiro post fashion e com dicas e ai jesus que é tão bom este creme e faz maravilhas à epiderme e eventualmente deixamos de parecer paquidermes. Estava mesmo entusiasmada. Ia fazer uma crítica sincera e bem feita. Mas depois cheguei a casa e apercebi-me que tinha deixado o saco algures perdido noutra loja qualquer. Acho que ainda não é desta que vou ser uma fashion blogger. 

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Dia dos avós

Hoje é dia dos avós e eu não tenho nenhum. Não é uma realidade que me pese muitas vezes, apesar de ser uma realidade bastante recente. Mas quando pesa, dói. Durante a maior parte da minha vida senti-me afortunada por nunca ter ido a um funeral, por ainda ter todos os membros da minha família comigo. No espaço de 2 ou 3 anos, tudo mudou. Hoje é dia dos avós e eu só me lembro das gemadas, das unhas que pintavamos à avó de uma cor berrante e que ela se ria, com um mão à frente da boca, não fossem os dentes saltar de repente. As notas enroladas e passadas discretamente ou então em envelopes orgulhosos porque fazia anos. A dignidade com que enfrentou a vida e a boa disposição até ao fim, quando me piscava o olho enquanto apreciava o behind da Luzinha dos meus olhos. Só me lembro da força bruta com que o meu avô nos apertava os joelhos, quando menos esperavamos só para dizer olá. Do primeiro cigarro que me deu, como castigo e como quem diz “fuma lá que não vais gostar e não me chateias mais” (correu mal mas eu percebi a ideia). A teimosia que herdei e os olhos verdes que gostava de ter herdado.

Hoje é dia dos avós.