Do talento

Gosto de pessoas com talentos. Com habilidades ou características que lhes permitem ser melhores que os restantes em alguma coisa. Eu, com muita pena minha, não tenho nenhum talento de relevo. E não digo isto com leviandade porque já passei muitas horas ao longo deste anos de vida a pensar em que é que eu me poderia destacar. De que forma posso ser diferente? Que saberei eu fazer que mais ninguém saiba? E a triste conclusão foi sempre, nada. Certo que há coisas que sei fazer bem. Outras que sou realmente boa. Mas não ao ponto de me destacar de uma multidão anónima que, com toda a certeza, saberão fazer essas ditas coisas tão bem ou melhor que eu.

Eventualmente lá me conciliei com a minha falta de talentos e aceitei que provavelmente não iria descobrir em mim um pequeno génio. Mas isto foi até ter conhecimento deste “Thailand’s got talent”.

Tenho para mim que, um dia,  um quadro assinado por mim ( ou pelas minhas mamas) estará em exposição num qualquer museu europeu. Porque desconfio que os americanos não terão capacidade de entender tamanha expressão artistica.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/lazer/tv–media/artista-pinta-com-os-seios-no-thailands-got-talent-com-video

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Ai tío

Quando penso num escritório cheio de engenheiros informáticos, programadores, designers, a imagem que me vem à ideia não é uma imagem particularmente lisonjeadora . E a experiência que tenho tido, confirma a ideia.

E venho por este meio confirmar que a localização geográfica não muda, de todo, esta verdade que se tornou absoluta. Por alguns momentos, ainda fiquei com alguma esperança de ter algo no meu raio de visão que fosse agradável. Assim, para limpar as vistinhas. E a esperança aumentou quando um dos patrões faz comentários como “Já conhecem o Dany? Esperem até conhecer o Dany. O Dany é que é…”

Pois, entretanto conhecemos o Dany. E apeteceu-me pedir o livro de reclamações!A única diferença entre o Dany entre e todos os outros programadores é o gel no cabelo.

Não há justiça neste mundo de trabalho. E pior…se o Dany é que é, pelos padrões espanhóis, adivinham-se meses de secura visual.

O primeiro dia de uma nova etapa

Passei anos da minha vida a dizer que queria “ir para fora”. Ou eram férias no estrangeiro, ou erasmus lá por fora ou estágios e empregos além mares.

Mas a verdade é que o tempo se foi passando, as alturas nunca eram certas e as prioridades nunca estiveram alinhadas. E cheguei até agora sem nunca ter estudado ou trabalhado fora de Portugal. Férias, essas sim, muitas e sempre que possível.

Até hoje. Sem que fosse escolha minha e, provavelmente na pior altura da minha vida, vi-me obrigada a vir trabalhar para a sede da empresa onde trabalho já há quase três anos. Financeiramente não será muito mais compensador e pessoalmente deixei nesse cantinho à beira-mar plantado a luzinha dos meus olhos. Confesso que é coisa que não me apetecia nada.

Enfim, teve que ser e cheguei. E se é para ser, ao menos que seja com estilo. De unhas cor de rosa fluorescentes, pintadas ontem e lascadas hoje, no meio de nevoeiro cerrado e chuva teimosa, cheguei ao destino.

O escritório fica a 100 metros da praia (a descer), numa baía encantadora, esplanadas por todo o lado e parques verdes, com direito a pequeno castelo. O meu novo palácio fica a 50 metros do escritório. 

Sim, vou ter uma vida difícil.

As desvantagens dos hóteis 5 estrelas

Normalmente, eu durmo confortavelmente com 80% do meu corpo em cima do corpo dele. Se ele se vira para a esquerda eu encaixo ali. Se se vira para a direita, agarro-me como uma lapazinha fofa às costas dele.
Se, por acaso, se deita de barriga para baixo, eu faço o mesmo, mas passo um braço e uma perna para cima do corpinho dele. E, se porventura, adormece de barriga para cima, é certo e sabido que encontro o meu caminho até ao melhor sítio do mundo, que é ali algures entre o peito e o ombro dele.
E, claro, com uma perna por cima dele.
E normalmente acabamos por apenas precisar de uma almofada…a dele.

Isto para dizer que ele não tem escapatória possível e tem que levar com o meu corpinho de sereia durante o sono.

Mas isto é um hotel de 5 estrelas e, horror dos horrores, tem camas king size.
A coisa até começa bem, com os preparativos para adormecer a serem em tudo semelhantes aos de casa. Encaixo aqui, ponho a perna ali, o braço acolá. Tudo normal,enfim.

Mas o facto é que tenho acordado sempre do outro lado da cama, que é como quem diz a 2 metros dele.
E pior…encontro-o a dormir pacificamente, agarrado a uma das muitas almofadas disponíveis e que ele coloca entre nós. Como um escudo protector.

Começo a achar que é um sinal.