É preciso mudar a lâmpada

Na altura de exames na faculdade raramente estudava sozinha. Preferia sempre estudar com alguém e a companhia variava de acordo com a cadeira em questão, embora fossem sempre os mesmos. E lembro-me particularmente bem de uma noite, véspera de exame que eu cá gosto de trabalhar sob pressão, em que estavamos dois ou três a estudar, ou a tentar pelo menos, quando de repente tudo era mais importante que as sebentas.

O candeeiro da casa era daqueles com 6 ou 7 lâmpadas. Uma delas estava fundida há meses. Nunca incomodou o suficiente para que alguém se desse ao trabalho de a mudar. Até aquela noite. Era impossível estudar com uma lâmpada fundida. Não havia lâmpadas. Foi preciso procurar. Não se chegava lá acima. Procura-se um escadote. Nenhum esforço era demais para que estivessem reunidas todas as condições de estudo. Duas horas depois, voltámos ao estudo. Até encontrar outra coisa que era mesmo preciso fazer naquele preciso momento.

Tudo isto para dizer que tenho que começar a  empacotar coisas.

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Vai bater, vai

Anda meio mundo a falar deste anúncio e a curiosidade foi mais forte. Devo confessar que ia preparada para achar que as virgens ofendidas deste país se insurgiam, mais uma vez, contra algo perfeitamente normal, com sentido de humor e que só beliscava aqueles a quem qualquer coisa belisca.

Pois bem, não. Não estava preparada para isto. Não estava preparada para ver uma Mónica quase desnuda a lamber a orelhinha do Rubim (mas quem é que se chama Rubim?!) e o meu lábio arrepanhou-se-me de asco ao ver o ar lascivo do moço, que me fez lembrar os senhores engatatões na rua, de cabelo lambido e mandar piropos a miúdas com idade para serem suas netas. E o rapaz até é bem apessoado, mas que querem, foi a primeira imagem que me veio à ideia.

Mas o que realmente me surpreendeu foi a falta de sentido do próprio anúncio. Que a ideia se percebe, percebe. Mas também se perceberia com uma cena menos violenta (eu ia colocar entre aspas mas achei melhor não. É violência mesmo.) e com muito mais humor. A coisa até ia bem até que, de forma gratuita e desnecessária, há aquela cabeçada. E convenhamos que há algo de nojento ao ver o amantíssimo esposo a cobrir a excelsa esposa, a quem cabeceou até ao desmaio, e a dar-lhe um beijinho de boa noite.

See for yourself:

Juro que foi assim

Ontem, passei o dia num almoço de família a comer de frente a uma pessoa que comia assim. E só não se sujava mais porque comia debruçada sobre o prato, como se tivesse que o proteger da cobiça alheia.

De resto, igualito. Vi toda a comida a ser triturada por uma mandíbula impiedosa, grunhidos como resposta e cabelos a tapar o prato. E esta criatura está a criar uma cria.

Medo.

De malas feitas…para o sítio errado

A minha mãezinha sempre me disse para ter cuidado com os planos. Demasiados planos, demasiado definidos, nunca davam certo. E mais uma vez, tenho que lhe dar razão. Se na passada semana, os planos eram mudar de cidade e viver com a Luzinha dos meus olhos (eu avisei que era assim que o ia chamar), num ninho de felicidade e a construir uma rotina a dois, esta semana os planos passam por mudar de fronteiras, viver com mais duas pessoas e limitar a rotina a dois a alguns dias por semana.

Não será a situação ideal e não será fácil. Contudo, neste momento da nossa vida, é uma inevitabilidade. E posso dizer com toda a franqueza que não há ninguém com quem eu mais gostasse de estar nesta altura e ninguém que me dê tanta segurança de podermos encarar esta fase como mais uma, com a boa disposição e compreensão que sempre nos caracterizaram.

Não é perfeito, mas também não é a pior coisa que podia acontecer. Vai ser uma nova aventura.

 

 

 

 

A família não se escolhe, pois não?

Chego a casa, depois de um dia enfiada no escritório a pensar numa esplanada e dolce fare niente, enquanto batia furiosamente no teclado, como se por magia pudesse castigar todos os que aproveitaram os 30ºC à sombra que se fizeram sentir na praia e a minha irmã está refastelada,  tão morena que se perdia na cor escura do sofá e diz-me, com o ar mais triste do mundo e com vozinha dengosa:

“aaaaahhhh…fiz bolhinha do calor na praia…olha…”

Fiz-lhe as malas, dei-lhe uma palmada na bolhinha à laia de despedida e pu-la fora de casa.*

*esta parte, imaginei-a enquanto olhava para ela, sem crer no que estava a ouvir.

Sonhos de consumo #1

Precisar, precisar, preciso de algumas coisas. Não tantas como as quero. E nem perto das que gostava muito de ter mas que, a menos que me saia o euromilhões ou tenha uma tia-avó milionária e sem filhos que subitamente me deixe uma herança, dificilmente terei.  Ainda assim, acho melhor manter o registo dessas coisas, não vá eu esquecer-me do que quero.

Passei o fim-de-semana a pensar em em qualquer coisa deste género para o terraço…